domingo, maio 17, 2009

Apresentação d@s candidat@s às Autárquicas 2009

O Bloco de Esquerda apresentou hoje, publicamente, os seus candidatos (cabeças de lista) à Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia do concelho de Almada.

O almoço decorreu no restaurante Patatigna, em frente à Escola Secundária Emídio Navarro, em Almada, onde foi notória a qualidade, simpatia e eficiência com que todos fomos brindados... um almoço de luxo, a um preço muito acessível, havendo a salientar, também, o excelente trabalho da equipa do BE - Almada que teve a seu cargo a organização do evento.

Estiveram presentes mais de 80 pessoas, entre candidatos, amigos e simpatizantes do Bloco de Esquerda, além dos deputados eleitos pelo distrito de Setúbal (Fernando Rosas e Mariana Aiveca), de Francisco Louçã, Coordenador Nacional do BE, e a comunicação social (imprensa local e duas estações de televisão RTP e TVI).

Depois de uma refeição que nos deixou a todos muito satisfeitos, Manuela Tavares (a mandatária autárquica de Almada) fez a apresentação uninominal de cada um dos cabeças de lista às Assembleias de Freguesia, dos cinco primeiros lugares à Assembleia Municipal e dos três primeiros à Câmara Municipal. No seu jeito característico, fez uma breve descrição das/os candidatas/os realçando características das respectivas personalidades e algumas capacidades técnicas e políticas que fazem de cada uma/um a/o candidata/o certa/o para o lugar a que se candidatam.

Mas, claro, o destaque foi para Luís Filipe Pereira e Helena Oliveira, cabeças de lista à Assembleia Municipal e à Câmara Municipal, respectivamente. E, como não podia deixar de ser, Manuela Tavares salientou o facto de se ter cumprido a paridade nas listas do BE, uma questão que, para si é de primordial importância.

Seguiram-se, depois, os discursos: Luís Filipe deu ênfase à postura do BE no órgão autárquico que vai liderar numa estratégia clara de aproximação à população. Falou de questões de política concelhia, mas também da luta contra o Governo (se quiser ler o discurso na íntegra, clique AQUI). Helena Oliveira, começou por fazer uma breve descrição daquele que tem sido o papel do BE, na Assembleia Municipal e nas Freguesias, neste mandato que está a terminar. O que nos destingue da CDU e o muito que há a fazer. Depois, de forma objectiva e coerente, traçou aquele que irá ser o rumo do BE no próximo mandato... uma oposição firme e frontal ao actual executivo, mas sem sectarismos (se quiser conhece o discurso na íntegra, clique AQUI).

Finalmente, Francisco Louçã trouxe-nos palavras de confiança neste conjunto de homens e mulheres que vão aceitar o desafio de ser autarcas pelo Bloco de Esquerda no concelho de Almada. E dos princípios que devem nortear a actuação de todos e de todas. Finalizou com uma panorâmica sobre a realidade nacional, os problemas do desemprego e a luta contra as injustiças, sejam elas de nível económico, social ou outras, mostrando quão importante é o trabalho do Bloco de Esquerda nos diversos patamares de intervenção política.

O dia terminou com um leilão de livros autografados a cargo de Joana Sales e Eduardo Jorge, com especial destaque para as obras de autores presentes (Francisco Louçã, Fernando Rosas, Manuela Tavares, Isidoro Augusto, Bernardes-Silva, entre muitos outros)... da história, á economia, passando pela poesia ou pelo feminismo, houve de tudo um pouco. Uma iniciativa inédita destinada à recolha de fundos.

Ao que se seguiu, antes da despedida, um número de ilusionismo protagonizado por Domingos Dias.

Bloco de Esquerda: a esquerda que faz a diferença.

Foi com grande satisfação e orgulho que aceitei encabeçar a lista do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Almada, e fazer parte de uma equipa de homens e mulheres que, tal como eu, aceitaram este desafio.

Não tenho dúvidas em afirmar que, ao longo deste mandato que está quase a terminar, o Bloco de Esquerda tem marcado a diferença na Assembleia Municipal e nas Assembleias de Freguesia do nosso concelho.

Empenhados na resolução dos problemas locais, os autarcas do BE têm sido uma oposição firme ao poder autárquico instituído há 35 anos no nosso concelho, não receando enfrentar a maioria absoluta da CDU e ousando, com frontalidade, trazer à discussão as nossas propostas.

Quero lembrar aqui algumas das moções e propostas que apresentámos na Assembleia Municipal e que foram rejeitadas pela maioria CDU.

· Exigimos condições de segurança para os trabalhadores que construíram a linha do MST e o cumprimento da construção da linha por troços, de modo a minorar o prejuízo do comércio local.
· Recomendámos à CMA a recolha e reciclagem de óleos domésticos.
· Propusemos ao Executivo a elaboração e divulgação de um Regulamento de Atribuição de Subsídios e Apoios Municipais.
· Repudiámos os aumentos das rendas dos Bairros Camarários verificados em Jan/2008, exigindo que fossem suspensos, e que a CMA procedesse à reabilitação dos Bairros com carácter de urgência.
· Recomendámos que a Assembleia Municipal se vinculasse com a Declaração de Impacto Ambiental dos novos Parques de Campismo da Costa da Caparica, na defesa da qualidade de vida da população da Charneca de Caparica.
· Apresentámos à CMA os traços gerais de uma metodologia para a elaboração do Orçamento Participativo do concelho.
· Propusemos medidas aos Executivos Municipais e de Freguesia para combater o trabalho precário na Administração Local, e exigimos que a CMA proceda às rectificações necessárias no que respeita à reclassificação e transição de carreiras dos seus trabalhadores.
· Adiantámos mecanismos que incentivem a participação dos almadenses no processo de Revisão do PDM que teve início em Dezembro do ano passado.
Outras moções apresentadas pelo BE foram aprovadas com o aval da CDU, tendo merecido o voto contra do PS e/ou do PSD. Por exemplo:

· Condenámos os sucessivos Orçamento de Estado e a Lei das Finanças Locais aprovada pelo Governo PS.
· Declarámos a nossa solidariedade com os trabalhadores, contra o encerramento da OPEL-Azambuja e da Gestnave, e a retirada de direitos aos trabalhadores das Estradas de Portugal em Almada.
· Defendemos os serviços públicos, e declarámos o nosso apoio à luta dos professores.
· Estivemos contra a co-incineração na cimenteira da Arrábida
· Repudiámos o novo Código de Trabalho.

De entre as iniciativas do BE que foram aprovadas por unanimidade, quero referir:

· As várias moções de solidariedade com os trabalhadores do Arsenal do Alfeite, contra a privatização da empresa, que desde 2006 temos vindo a denunciar.
· Congratulámo-nos pela realização do referendo pela descriminalização do aborto, e propusemos a realização de um debate promovido pela Assembleia Municipal.
· Exigimos à Fertagus o reforço do número de comboios com passagem pelo Pragal, em especial nas horas de ponta e ao fim-de-semana.
· Propusemos a criação de uma Comissão de Acompanhamento da Frente de Praias da Costa da Caparica, e exigimos vigilância nas Praias do nosso concelho.
· Repudiámos, ao lado do movimento de cidadãos, a tentativa de re-início das obras da Linha de Muito Alta Tensão decididas pelo Governo Central.
· Condenámos a acção e a propaganda xenófobas veiculadas pelo PNR.
· Pronunciámo-nos contra a Directiva de Retorno, por direitos iguais para os imigrantes.
· Congratulámo-nos com o fim do sigilo bancário aprovado na Assembleia da República por proposta do BE.

É por tudo isto, e muito mais que fica por dizer, que nós, os autarcas do Bloco de Esquerda em Almada, estamos orgulhosos e orgulhosas do nosso trabalho.

Reconhecemos com humildade que temos muito a aprender, muitas lições a tirar do que fizemos menos bem.

Mas afirmamos com convicção que:
- fomos capazes de fazer diferente.
- somos capazes de fazer melhor.
- seremos capazes de ser uma alternativa ao governo da nossa cidade.

E por isso vos quero falar também das críticas que fazemos à prática da actual maioria CDU, e das ideias que consideramos importantes para o desenvolvimento solidário do nosso concelho.

1. Ao invés do presidencialismo municipal que caracteriza o actual Executivo CDU, propomos as decisões participadas, e a criação de mecanismos que dinamizem uma participação cidadã de proximidade.

Consideramos que os já sobejamente conhecidos Fóruns de Participação ou as sessões de apresentação aos munícipes dos Projectos Estratégicos que o actual Executivo continua teimosamente a chamar de ‘participação cidadã’, não resolvem o problema, nem dão ao cidadão o poder de decidir sobre os destinos da sua terra.

2. Ao invés de continuar a desenvolver Planos Estratégicos desarticulados entre si, é necessária uma visão estratégica para o concelho, construída com uma ampla participação.

O processo de revisão do PDM, com inicio formal no final do ano passado, está longe de ter começado bem. Apresentaremos propostas concretas sobre este processo, que refutamos de importância fulcral para o futuro do nosso concelho.

3. Ao invés de privilegiar o centro em detrimento da periferia, é necessário apostar em políticas sociais que combatam as desigualdades existentes no concelho.

Os apoios dados a instituições de solidariedade social sediadas no nosso concelho não podem substituir as medidas que é necessário implementar em tantas áreas que vão desde a habitação social ou os transportes, à integração de outras comunidades e culturas, aos equipamentos de apoio aos idosos e à infância, só para dar alguns exemplos.

4. Ao invés de um Plano de Mobilidade para o centro, é preciso ter um Plano de Mobilidade para o concelho.

A entrada em funcionamento do MST foi muito importante, mas não foram acautelados os parques de estacionamento, os tarifários, as ligações com outros meios de transporte. Por outro lado, o MST não chega ao concelho todo.

É necessário discutir a função social dos transportes públicos, e o papel que cabe à autarquia nesta matéria.

São estas e outras questões que colocaremos à discussão de todos os almadenses, logo após as Eleições para o Parlamento Europeu.


Com a participação e o envolvimento de todos que queiram nele participar, construiremos o programa com que o Bloco de Esquerda se apresentará ao eleitorado em Outubro próximo.

Em Almada, o PCP e a CDU continuarão a falar-nos da caminhada que começaram há 35 anos, e que estamos no final da Década do Desenvolvimento Solidário e Sustentável do concelho, com obra feita à vista de todos.

Mas a questão é outra: as desigualdades sociais, o concelho a duas velocidades, a falta de incentivo à participação das pessoas continuam a ser realidades na nossa terra!

E por isso, temos que questionar: porque motivo a CDU não aplica em Almada as propostas pelas quais se bate para o país?

Também o Partido Socialista já começou a sua campanha eleitoral, dizendo que vai combater as desigualdades e as injustiças sociais existentes no concelho, que são precisas medidas concretas e excepcionais para combater a crise e proteger os mais desfavorecidos.

Acontece que Almada não está isolada, e sofre também as consequências das políticas que o Governo Central do PS tem vindo a implementar.

Durante mais de quatro anos de maioria absoluta do Governo PS, o país assistiu aos ataques feitos à Função Pública, às alterações ao regime da Segurança Social, à precariedade e a um novo Pacote Laboral, à degradação dos serviços públicos, ao acentuar das injustiças, ao aumento da pobreza e das desigualdades, a um crescimento histórico do desemprego, que promete continuar a agravar-se, agora com a desculpa da crise internacional que, não se iludam, veio para ficar, mas não pode continuar a ser invocada como a causadora de todos os males!

No mínimo, temos que questionar: como querem que acreditemos que o PS vai fazer na nossa terra, o contrário do que faz no país?

Portugal e Almada precisam de um novo ciclo de respostas sociais, que combatam a crise e promovam a justiça social.

O Bloco de Esquerda apresentará programa e propostas neste sentido, opondo-se às práticas, às políticas e às opções do Partido Socialista no poder central, e do PCP/CDU no poder local.

O desafio que temos pela frente é eleger uma vereadora e aumentar o número de eleitos na Assembleia Municipal e em todas as freguesias.

O meu compromisso, o compromisso dos candidatos do Bloco de Esquerda, é pois, tão só e apenas, com os almadenses, e pode resumir-se assim:

Acreditamos numa sociedade em que LIBERDADE é sinónimo de PAZ, PÃO, HABITAÇÃO, SAÚDE, EDUCAÇÃO. Para todos e para todas.

E, porque acreditamos, não cruzamos os braços e continuaremos a lutar, contribuindo assim para alcançar uma sociedade mais justa e solidária.

Conto com todos vocês!
Podem contar comigo para este combate!

Almada, 17 de Maio de 2009
Helena Oliveira
Candidata à Câmara Municipal de Almada

O Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal com a população

Em Almada os resultados eleitorais para o actual mandato que está na sua fase final, determinaram um crescimento assinalável do Bloco de Esquerda, que tem autarcas eleitos em todas as Freguesias, excepto na Freguesia da Costa da Caparica, onde não elegeu apenas por 8 votos, na Assembleia Municipal o seu grupo Municipal é constituído por três deputados municipais.

Como é do conhecimento público o Bloco de Esquerda não elegeu um vereador apenas por 15 votos.

Os resultados foram demonstrativos da vontade da população em dar ao Bloco de Esquerda a possibilidade de apresentar as suas propostas e dar voz aos seus anseios.

Em boa hora isso aconteceu, hoje a voz dos nossos autarcas é ouvida e respeitada, não havendo dúvidas da capacidade do bloco, que ao mesmo tempo que apresenta propostas e as coloca à consideração das outras forças politicas também sabe ouvir e apoiar todas as medidas que vão ao encontro dos interesses das populações das 11 freguesias do concelho, independentemente da força politica que as proponha; se tem em conta os interesses das populações, nós votamos a favor.
O Bloco de Esquerda não é uma força sectária.
O nosso compromisso é com a população, homens e mulheres que merecem todo o nosso respeito, estamos na política autárquica porque pensamos e acreditamos que aqui reside a esperança de ver muitos abraçarem causas justas e nobres. O poder autárquico é o poder que está mais perto do povo e tem que ser real tem que ser efectivo o Bloco tem que conseguir trazer mais pessoas a participar. Ao mesmo tempo, tem que exigir que se criem verdadeiros mecanismos de participação com possibilidade de ver aplicadas e respeitadas na prática as opiniões das populações; é absolutamente indispensável que a politica autárquica seja determinada pela vontade e participação popular.
Tudo faremos, para continuar a merecer a confiança de todos e todas que votaram no Bloco de Esquerda e a partir do nosso empenho fazer com que outros acreditem que vale a pena participar e acreditem também que vale a pena votar no Bloco de Esquerda.
Temos a convicção que o Bloco é uma força de confiança que aumenta esquerda, à esquerda que se quer forte no respeito pelas diferenças; tal é indispensável para combater e resistir às tendências neo-liberais , que impõe salários de miséria e aumento de desemprego.
No Bloco de Esquerda o trabalho de equipa é absolutamente decisivo para a afirmação da nossa politica. Os contributos são todos muito importantes.
Nas próximas eleições tudo indica que iremos aumentar a nossa representatividade, é indispensável que a mesma seja acompanhada da máxima responsabilidade. Existem no Concelho de Almada inúmeras situações que carecem de resolução.
Não queremos uma Almada a várias velocidades, uma Almada que cresce e se renova e outra que envelhece se esquece e se abandona.
Uma autarquia de esquerda tem que ter politicas sociais e acção que contribuam de forma decisiva para resolver problemas que afectam um número considerável de Almadenses, desde as politicas sociais de habitação e habitação social e apoio aos nossos idosos. Temos que encontrar formas que se traduzam por apoios reais aos nossos idosos e às suas famílias.
A Segurança Social e a Autarquia têm que reforçar a sua intervenção nesta área. Exigem-se políticas efectivas de defesa e salvaguarda dos direitos dos Idosos.
Não perdemos de vista as responsabilidades do poder central nestas matérias, mas é precisamente porque o Governo não cumpre que as autarquias devem ser mais solidárias e exigentes em relação ao poder central.

Quando há 35 anos lutámos nas ruas por uma sociedade mais justa, não era previsível que problemas de pobreza e extrema pobreza, voltassem para atormentar tanta gente.
Não podemos deixar de responsabilizar o actual Governo do Partido Socialista que encontra soluções de milhões para entregar a banqueiros mas não promove politicas sociais nem promove o emprego, para devolver a dignidade a um número elevadíssimo de trabalhadores e trabalhadoras que perderam a única fonte de rendimento que possuíam que era o seu posto de trabalho.
É nossa convicção que o retrocesso politico e social não é irreversível. Não contamos com facilidades, mas sabemos que não podemos baixar os braços e que o único caminho possível é o caminho da luta!
Viva o Bloco de Esquerda.
Viva Almada.
Luís Filipe Pereira
Cabeça de Lista à Assembleia Municipal de Almada

A "Feira Aberta" foi um êxito!


Realizou-se ontem, sábado, dia 16 de Maio, entre as 10:30H e as 17:30H, na Praça do MFA, em Almada.

Esta iniciativa do Bloco de Esquerda (Núcleo de Almada), foi um êxito.

Destinada, sobretudo, a permitir fazer alguma recolha de fundos, acabou por ser, também, uma excelente oportunidade para se proceder à distribuição de material de propaganda política (das eleições europeias) e de divulgação (próxima sessão: A Cidade Inclusiva, dia 20 de Maio, 21H, na Casa Municipal da Juventude, em Cacilhas).


quinta-feira, maio 14, 2009

A Cidade Inclusiva

ESTÃO TODOS CONVIDADOS.
APAREÇAM

quinta-feira, maio 07, 2009

Resumo da AF de 05-05-2009

A Assembleia de Freguesia de dia 05-05-2009 foi, mais uma vez, uma surpresa. E não terá sido pela positiva, lamentavelmente.

No público, embora menos do que no dia 22-04-2009, estavam também presentes moradores dos prédios n.ºs 88 a 92 da Rua Elias Garcia (cerca de uma dezena), que colocaram diversas questões:

C. S. – quis saber se haveria alguma evolução da situação desde a reunião da Assembleia Municipal;

J. C. – teve preocupação idêntica e acrescentou que, de futuro, a JFC deveria preocupar-se mais em informar os moradores a tempo e horas;

J. R. – levantou a problemática da desvalorização das fracções. Haveria hipótese, ou não, de as pessoas venderem as suas casas? Que garantias tinham? Como recuperar o investimento feito?

D. Z. – informou que os moradores haviam tido uma reunião com a CMA e com o assessor do vereador (arquitecto Ricardo Carneiro). Tinham sido informados de que só a partir de dia 12 de Maio, data da entrega do “pré-plano” pela equipa que o está a elaborar, é que poderiam ter novidades. Como é que era possível em cerca de 20 dias fazerem um plano destes?

F. O. – frisou a importância de se ouvirem os contributos das pessoas, o que não lhe parecia estar a acontecer, muito pelo contrário. “Perguntamos mas ninguém nos responde” – insistiu diversas vezes, considerando esta atitude uma grande falta de respeito pelos moradores cuja vida está, agora, condicionada… Onde é que a CMA vai alojar as pessoas? Não queremos habitação social!

Além destas, ouve outras intervenções falando na problemática dos lojistas, dos que têm a casa à venda e, agora, não sabem o que lhes vai acontecer (com todos os problemas económicos e sociais associados, alguns bastante graves), do procedimento pouco claro da CMA no que toca ao esclarecimento dos moradores, etc.

O Sr. Malcata, do executivo da JFC, interveio para aconselhar calma e tranquilidade aos moradores. Que “o que for será”. Que a CMA ia receber o projecto no dia 12, depois iria estudá-lo, consultar os técnicos e a seguir marcaria as reuniões necessárias para explicar o plano à população e ouvir a opinião das pessoas. Mas deixou um aviso para que tivessem cuidado pois alguém ainda poderia “sair chamuscado”.

Esta intervenção suscitou logo uma reacção no público havendo um morador que perguntou, de imediato: «mas isto é uma ameaça?»

O presidente da JFC reconheceu que aquela fora uma expressão infeliz e informou que em 2006 que a CMA notificara, pessoalmente, cada um daqueles moradores para os ouvir – prontamente, alguém do público respondeu que isso era mentira, e a D. Teresa esclareceu que apenas tinham sido inquiridos sobre se gostavam de morar naquele lugar, o que achavam da zona, e pouco mais.

Continuando o seu discurso, o Presidente da JFC disse que a CMA realizara dois fóruns de discussão pública sobre a “visão estratégica para o Almaraz / Ginjal”. A CMA é dona da obra e pode decidir o que se faz ou não se faz, referindo-se à indicação dos prédios a demolir por sugestão da equipa de arquitectos que elaborou o projecto.

Continuou dizendo que em 04-03-09 a CMA aprovara, por unanimidade, a proposta dos termos de referência para a construção do Plano de Pormenor do Almaraz. Frisou que esta decisão obtivera os votos favoráveis da CDU mas, também, do PS, do PSD e do BE, por isso não percebia estas posições extremadas.

Claro que tive de interromper para esclarecer que o Bloco de Esquerda não faz parte do executivo municipal, logo nunca poderia ter dado o seu voto favorável àquela proposta. Muito a custo, lá admitiu e rectificou o que dissera.

O Presidente da JFC informou ainda que, o papel do executivo apenas se podia limitar ao recebimento das preocupações dos moradores e ao seu encaminhamento para a CMA, que é quem compete esclarecer as dúvidas das pessoas. E a autarquia já prometera fazê-lo, mas só depois de “digerir”, com tempo, o plano que lhes ia ser apresentado no dia 12 pela equipa de arquitectos responsáveis pela sua elaboração.

Não há, ainda, nenhum plano. Nada está decidido. “A JFC não está em campanha como alguns membros desta Assembleia”, acusou o presidente da JFC, que em vez de serenarem as pessoas só sabem é fazer arruaça e lançar o pânico nos moradores, com claros objectivos político partidários, como por exemplo anda a fazer a eleita do Bloco de Esquerda.

Claro que tive de intervir. Como notei que os ânimos começavam a estar demasiado exaltados tentei ser firme mas sem mostrar irritação exagerada e defendi as posições que, sobre este assunto, desde início, tenho assumido. Coloquei a tónica na falta de informação e na forma como a consulta pública fora conduzida de modo a reduzir a participação dos interessados. Frisei que, apesar de não haver ainda um plano definitivo, é certo, a CMA aprovara o Estudo de Enquadramento Estratégico do Almaraz em 2006, no qual já se propunha a demolição daqueles prédios e nunca se falou sobre essa intenção nos fóruns de debate público. Porquê?

Até aí, apenas a CMA e a CDU, portanto, tinham conhecimento do processo, enquanto a população só agora tivera acesso ao dito… daí o choque perante aquela que parece ser uma proposta com carácter de inevitabilidade. Porque, convém frisar, a CMA aprovou (por unanimidade, como já aqui se disse) o EEE e nele se propõe a demolição daqueles edifícios. Não pode agora o executivo municipal desresponsabilizar-se e vir acusar a oposição de andar a fazer campanha apenas porque reclama da falta de informação e porque anda a exigir respostas, nomeadamente de carácter jurídico.

Mas a estrela da noite foi, indiscutivelmente, a minha carta ao Notícias de Almada da semana passada, inserida na rubrica “Correio do Leitor”, contando o que se passara na sessão da AF anterior. O Presidente da JFC esgrimia uma fotocópia do artigo como se tivesse entre mãos a prova de um crime, o Presidente da Mesa da AF referia-se a ele de forma idêntica e até alguns moradores o citaram.

Embora me lembrasse bem do que escrevera, pois até colocara a notícia no meu blogue pessoal, o certo é que não tinha tido acesso a nenhum exemplar do jornal e, por isso, não sabia que a carta já fora publicada. Daí a minha surpresa perante o desenrolar dos acontecimentos que se seguiram, num crescendo de animosidade como nunca antes se vira naquela Assembleia de Freguesia.

Fui insultada, pela CDU principalmente mas também pelo PSD, de forma tão violenta como nunca tinha acontecido, nem na sessão onde desmascarei o caso que ficou conhecido como “o caso dos postais” de utilização indevida, pelo executivo da JFC, dos dados do recenseamento eleitoral para enviar postais de aniversário aos residentes e cartas de boas-vindas aos novos eleitores.

Tudo por causa destas três frases:
«Mesmo não sendo um imperativo legal, um documento desta natureza, em particular quando contém medidas restritivas que afectam o património dos particulares, deveria conter uma súmula das soluções jurídicas possíveis, para que os proprietários pudessem ficar esclarecidos quantos aos seus direitos e o efeito surpresa fosse atenuado. Sobretudo quando se propõe a demolição, com carácter de inevitabilidade, de imóveis habitados, relativamente recentes, sem problemas estruturais, em bom estado de conservação e convenientemente licenciados pela autarquia.
Além deste incidente do “faz de conta que este é um processo participado”, mas onde a opinião de terceiros em nada altera o rumo previamente traçado, o comportamento do Presidente da Junta (CDU) e do Presidente da Assembleia de Freguesia de Cacilhas (PSD), assim como do Coordenador da Comissão de Acompanhamento da Requalificação de Cacilhas (CDU), deixou também muito a desejar: céleres em remeter informação aos membros da Assembleia de Freguesia noutras situações, neste caso optaram por considerar desnecessário informar os restantes autarcas, embora os três tivessem consultado o respectivo dossier e soubessem, portanto, o que estava em causa.
Quer queiramos quer não, somos forçados a pensar que esta foi uma estratégia delineada para impedir a oposição (PS e BE) de estudar, atempadamente, o processo e evitar o aparecimento de perguntas incómodas (não nos esqueçamos que, em Cacilhas, CDU e PSD estão coligados).»


De salientar, porém, que quer o Presidente da Junta quer o da Assembleia, insistiam em descontextualizar aquelas afirmações e liam-nas parcialmente, apenas os textos a negrito, como se fossem acusações taxativas.

Além das acusações anteriores de arruaceira, o Presidente da Junta disse que eu era uma provocadora, que o meu artigo metia nojo, que a continuar “a atear o fogo dessa maneira ainda saía queimada”, que já metera “a pata na poça” (aqui tive que interromper, apesar de nunca o fazer e aguardar sempre pela minha vez para intervir, e pedindo desculpa pelo vernáculo afirmei: “patas? patas tem o senhor Presidente!”, frase que já passou a ser uma brincadeira), que não me reconhecia qualquer capacidade técnica nem autoridade moral para afirmar o que escrevera. Por isso, ao abrigo do direito de resposta ele, o Presidente da AF e o Coordenador da CARC (Comissão de Acompanhamento da Requalificação de Cacilhas) iam assinar uma carta a enviar ao Notícias de Almada, para repor a verdade dos factos já que o meu texto só dizia mentiras.

O Secretário da Mesa da AF (CDU) acrescentou ainda, dizendo-se indignadíssimo, que eu tinha que provar tudo o que escrevera, nomeadamente que sabia, e como o soubera, que os prédios iam ser demolidos. As afirmações que eu fazia ao jornal eram demasiado graves. Tão graves que até podiam ser passíveis de procedimento judicial.

O Presidente da AF (PSD) disse que não admitia insinuações como as que eu fazia no jornal. Porque a abstenção não se combatia com estas “tentativas de arruaça”, com este tipo de “aproveitamento político partidário”. Se existia alguma estratégia delineada era entre o PS e o BE como se podia ver pelo texto das moções do PS que copiavam frases inteiras do artigo da eleita do Bloco de Esquerda. Que o PSD e a CDU eram partidos muito diferentes e cada um tinha a sua política. É uma aberração completa acusar o PSD e a CDU de terem uma estratégia delineada. Isso é fazer “gincana política”, é confundir as coisas, etc.

É realmente muito estranha esta aversão da CDU e do PSD a admitirem, em público, que têm um acordo pós-eleitoral – o PSD faz parte do executivo da JFC, não nos podemos esquecer – que, todavia, não foi votado pelos eleitores e teve como único objectivo garantir a maioria absoluta à CDU. Como se isto fosse possível de manter na clandestinidade!

A Odete Alexandre (PS) interveio para dizer que se não estávamos ali a fazer política, então não estávamos a cumprir o mandato que os nossos eleitores nos tinham confiado. Que se fomos eleitos por um partido, ali na AF estávamos condicionados por esse facto e as nossas posições eram em consonância com as opções do partido. Caso contrário, estávamos a defraudar quem nos elegera. A nossa obrigação é fazer política sim, mas com lisura e transparência. E se o PS faz uma moção utilizando palavras do BE é porque neste caso estamos em sintonia. Não há nada a esconder, ao contrário do que parecia ser o comportamento do PSD e da CDU no caso do Almaraz. E, de seguida, incitou os moradores a exigirem que o realojamento proposto, se a demolição avançasse, fosse na Quinta do Almaraz e não noutro local qualquer.

O Coordenador da Comissão de Acompanhamento da Requalificação de Cacilhas, manifestou o seu completo desagrado pela atitude da eleita do BE e do representante do PS (Alberto Oliveira) que na reunião anterior tinham proferido acusações demasiado agressivas contra si, extremamente injustas. Acusou-nos de termos feito uma condenação sumária sem ter a hombridade de o consultar primeiro. Que não esperava isto da nossa parte, que houvera muita falta de solidariedade, que a comissão sempre funcionara na base da amizade e sem entraves ou questiúnculas políticas. E como se sentia extremamente ofendido, pedia a demissão do cargo.

Quer o PS quer eu própria salientámos que, tendo nós sido confrontados com a situação in loco, nunca poderíamos ter feito aviso prévio. Que as declarações foram proferidas no momento, confrontados com o conhecimento de que, afinal, quer a CDU quer o PSD até tinham consultado o processo mas ninguém se dignara informar os restantes partidos.

A Júlia Leonardo (CDU) disse que “nunca vira gente descer tão baixo”. Que o lema da CDU é “trabalho / competência /honestidade”.

Pedi a palavra mais uma vez para entregar na Mesa o texto que escrevera sobre “Acesso à Informação Atempada” e perguntar ao senhor Presidente da Junta o seguinte:
Tendo considerado que não tinha a obrigação de informar os membros da AF sobre a consulta pública do Plano do Almaraz, então como classificava o envio, através de ofício da JFC, de documentos da bancada da CDU na Assembleia da República? Que me lembre, aconteceu pelo menos duas vezes. (o líder da bancada do PS admitiu que também recebera essa informação). Isso não é aproveitamento político? Não, não é. É muito pior!

O Presidente da Junta negou que tivesse sido ele a enviar esses documentos. Não era prática dele, esse tipo de actuação. Só se fora da parte da Assembleia de Freguesia. Mas iria investigar porque não admitia insinuações dessas.

O Noronha (CDU) dissertou sobre a diferença entre fazer política e fazer estratégia política. Qualquer de nós estávamos a favor dos moradores, era evidente. Mas, ao contrário da CDU os outros partidos só sabiam fazer demagogia. Que a eleita do BE deveria saber que a CMA ao aprovar o EEE na globalidade não está a concordar com as especificidades. E foi buscar, a despropósito, o caso da moção sobre o 1.º de Maio que o BE apresentou no dia 22 de Abril para demonstrar como de uma coisa mais vasta “o BE foi reduzindo, reduzindo até acabar por se limitar a fazer acusações à CMA”.

Houve mais intervenções, sobretudo da bancada do PS, PSD e BE em resposta às sucessivas acusações mas estas foram as principais, sendo de realçar a “defesa da honra” feita pelo PS após as declarações da Júlia Leonardo solicitando que ela se retratasse ao que ela afirmou, peremptoriamente que não: “pedir desculpas? Nunca!”

Depois da leitora das moções do PS e do requerimento do BE, passou-se à sua discussão. A CDU e o PSD sugeriram algumas alterações, à parte deliberativa das mesmas, e ambos condenaram o teor dos considerandos (que eram, sobretudo, as tais frases retiradas do meu texto no blogue – nesta sessão deu também para ver que o INFINITO’S anda a ser bastante consultado).

Postas à votação as Moções obtiveram o seguinte resultado.

Nas declarações de voto que a CDU quis fazer, através do porta-voz da sua bancada, apercebemo-nos que as votações iniciais estavam trocadas, literalmente. Houve que repetir tudo e, mesmo assim, a confusão foi geral. Mas, no fim, à terceira, lá se acertou e o resultado é o que a seguir se indica.

Plano de Pormenor do Almaraz: a informação indispensável – votada por pontos na parte deliberativa:
a) Condenar a falta de informação aos eleitos locais. Rejeitada, com os votos contra da CDU e do PSD. Por considerarem que nunca houve falta de informação mas sim gente desatenta.
b) Exigir que, no futuro, os membros da Assembleia de Freguesia sejam informados, por escrito (que pode ser por e-mail), atempadamente, do conteúdo de todos os editais que versem sobre assuntos da freguesia de Cacilhas. Aprovada por maioria, com 1 voto contra da CDU.

Plano de Pormenor do Almaraz: solidariedade com os moradores – aprovada por unanimidade.

Foi apresentada uma proposta, aprovada por unanimidade, de se realizar uma sessão extraordinária da AF tendo como ponto único o Plano de Pormenor do Almaraz, a realizar o mais breve possível (até Junho, inclusive), e com a condição de ter presentes como convidados o vereador do pelouro e os técnicos (de preferência os arquitectos responsáveis pela elaboração do projecto) para que possam ser dadas informações concretas aos moradores.

Dado o adiantado da hora, ficou agendada uma nova reunião para o dia 18 de Maio. Sem “período aberto ao público” nem “período antes da ordem do dia”.

No final da sessão o Presidente da Junta veio falar comigo e pedir desculpa por se ter excedido. Estivemos à conversa (pena foi que tivesse sido sem assistência). Disse que reconhecia o meu excelente trabalho como autarca e que eu marcava, de facto, a diferença. Mas no calor da discussão, às vezes diz-se o que se não quer.

Acesso à informação atempada

Na sessão de dia 22 de Abril último, o Bloco de Esquerda foi confrontado, pela primeira vez, com o facto de ter terminado naquele mesmo dia o período de “consulta preventiva” do Estudo de Enquadramento Estratégico da Quinta do Almaraz / Ginjal, que se encontrava disponível na Junta de Freguesia para o efeito, desde a data de publicação do respectivo Edital da CMA no DR, II Série, n.º 60, de 26 de Março de 2009.

Nessa mesma sessão, fizemos questão de salientar o nosso inteiro desagrado por um documento daquela importância para o desenvolvimento económico, social, cultural e turístico da nossa freguesia, ter sido, a nível local, publicitado de forma tão parca (ao que se sabe, apenas por edital afixado na montra da Junta de Freguesia).

Apesar de a CMA ter, supostamente, cumprido todos os requisitos legais de publicitação, o certo é que os meios utilizados revelaram-se insuficientes para alertar a população e os membros da Assembleia de Freguesia para essa ocorrência, pelo que a consulta do processo foi muito pouco participada.

O Bloco de Esquerda só conseguiu consultar o processo depois da sessão de 22-04-2009, onde ficámos a saber dessa possibilidade, ou seja, na semana seguinte. E como já estávamos fora do período de “consulta preventiva” recorremos ao uso da prerrogativa como membros da Assembleia de Freguesia.

Todavia, no decorrer da sessão, tanto o Presidente da Assembleia de Freguesia como o Coordenador da Comissão de Acompanhamento da Requalificação de Cacilhas informaram que, afinal, tinham tido conhecimento desse facto, embora não formalmente mas por mero acaso, e até tinham consultado, atempadamente, o respectivo processo.

Obviamente que não podíamos ter deixado de mostrar a nossa indignação por ninguém se ter dignado avisar os restantes autarcas, sobretudo os membros da Comissão de Acompanhamento da Requalificação de Cacilhas, apesar de todos estarmos conscientes de que essa não é uma obrigação especificamente consignada na Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro (na redacção da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro).

Acontece porém que, noutras situações menos relevantes, a própria Junta de Freguesia chegou a enviar aos membros da Assembleia de Freguesia (pelo menos ao elemento do Bloco de Esquerda assim aconteceu), para seu conhecimento, ofícios contendo documentos apresentados noutras instâncias (Assembleia da República, por exemplo) pela CDU, apenas porque versavam questões relativas a Cacilhas, como foi o caso do solicitado apoio ao Governo para os comerciantes na sequência dos prejuízos decorrentes das obras do MST.

Não nos coibimos, no entanto, de contactar os moradores, pessoalmente, ainda antes de efectuarmos a consulta ao processo (que não foi logo nos dois dias imediatos pois entendemos dever fazê-lo através de solicitação escrita e estávamos a aguardar a resposta ao e-mail entretanto enviado para o efeito) e auscultar as suas preocupações.

Ainda nesse sentido, e porque assim o combináramos com os moradores com quem havíamos falado, fomos assistir à primeira sessão da reunião ordinária da Assembleia Municipal de Almada, realizada no dia 28 de Abril último, onde sabíamos que iriam estar presentes para colocar algumas questões à Senhora Presidente da Câmara Municipal, como aliás tinham sido aconselhados a fazer pelo Presidente da Junta de Freguesia de Cacilhas.

Atentos ao desenrolar das intervenções, não podemos deixar de nos mostrar chocados com as palavras do substituto do presidente da Junta de Freguesia de Cacilhas, o Sr. Malcata, que teve a ousadia de apelidar de “a coisa mais disparatada que já ouvira” quando as deputadas Helena Oliveira (BE) e Odete Alexandre (PS) se pronunciaram contra o facto de os membros da Assembleia de Freguesia de Cacilhas não terem sido informados de que estava a decorrer o período de “consulta preventiva” do Plano do Almaraz, tendo afirmado que se ninguém consultara o processo durante aquele período fora porque não quisera, já que eles tinham afixado o edital nas instalações da JFC, dando a entender, perante todos os presentes, deputados municipais, executivo municipal e público, que a autarca do Bloco de Esquerda e os autarcas do Partido Socialista é que haviam sido negligentes no cumprimento das suas atribuições.

Perante estas declarações, o Bloco de Esquerda não pode deixar de vir a esta Assembleia de Freguesia mostrar total indignação face ao teor da suspeita lançada sobre a actuação da sua eleita. A autarca do Bloco de Esquerda sempre cumpriu zelosamente as suas funções, nunca faltou sequer a uma única Assembleia de Freguesia, intervém em todas as sessões, apresentou inúmeras moções sobre assuntos locais e não só, entregou diversos requerimentos questionando o executivo sobre matérias pertinentes para a freguesia, etc. como facilmente se poderá depreender pelo teor das actas deste mandato e respectivos documentos anexos.

Por isso, se a autarca do Bloco de Esquerda não consultou o processo em causa, embora ele tenha sido, efectivamente, publicitado nos termos da lei, não o negamos (e, em teoria, dele devêssemos ter tido sabido), foi porque não teve conhecimento atempado de que o mesmo se encontrava em consulta pública.

A afixação na montra da Junta, eventualmente noutros locais de estilo da freguesia, e a publicitação no Diário da República, sabendo nós que este não é o percurso habitual da maioria das pessoas que residem na área em causa e aquele jornal não é propriamente um diário de consulta frequente pela população, mesmo para quem trabalha na Administração Pública (como é o caso da nossa autarca), são insuficientes para divulgar um edital com a importância deste e com o objectivo que deveria alcançar (de que a “consulta preventiva” fosse um momento de efectiva participação dos cacilhenses).

Por isso, insistimos, se há aqui alguma coisa a condenar, só poderá mesmo ser o comportamento dos dois membros da Assembleia de Freguesia que sabiam o que se estava a passar e, mesmo que não tenha sido de forma deliberada (não cremos que assim tenha sido, de facto), o certo é que não se preocuparam em informar os restantes autarcas, quando essa função, pelas responsabilidades que lhes cabem (referimo-nos ao Presidente da Assembleia de Freguesia de Cacilhas e ao Coordenador da Comissão de Acompanhamento da Requalificação de Cacilhas) nunca deveria ter sido preterida.

Além disso, o próprio Presidente da Junta de Freguesia de Cacilhas, que já chegou a ser tão célere a enviar alguns outros documentos aos membros da Assembleia de Freguesia (como já aqui dissemos) bem poderia ter diligenciado o envio de um aviso aos membros da AF informando-os que o processo estava para consulta, nem que fosse através de um simples e-mail, mais ainda sabendo que o site da Junta de Freguesia nem sequer estava funcional.

Resta-nos esperar que, doravante, situações destas não se repitam, pois quem sai prejudicado é o funcionamento democrático de um órgão que deveria ser o mais próximo dos cidadãos mas cujas parcas competências se encontram, assim, ainda mais limitadas.


Cacilhas, 5 de Maio de 2009

Maria Ermelinda Toscano
Representante do Bloco de Esquerda

Plano de Pormenor da Quinta do Almaraz - Requerimento

Exm.º Senhor Presidente
Da Assembleia de Freguesia de Cacilhas


Na sessão de dia 22 de Abril último, foi o Bloco de Esquerda confrontado com o facto de ter terminado naquele dia o período de “consulta preventiva” do Estudo de Enquadramento Estratégico da Quinta do Almaraz / Ginjal, de importância primordial para o desenvolvimento económico, social, cultural e turístico da nossa freguesia.

Apesar de se terem cumprido os requisitos legais de publicitação (através de edital afixado nos locais de estilo da freguesia), o certo é que eles revelaram-se insuficientes para alertar a população em geral e os membros da Assembleia de Freguesia para essa ocorrência, pelo que a consulta do processo só foi por nós efectuada na semana seguinte.

Como tal, e porque as dúvidas sobre as consequências da proposta de demolição de três edifícios sitos na Rua Elias Garcia (n.ºs 88 a 92) são imensas cumpre-nos, nos termos do disposto na alínea g) do n.º 1 do artigo 17.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro (na redacção da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro), solicitar ao Senhor Presidente da Junta de Freguesia se digne diligenciar junto dos competentes Serviços da Câmara Municipal de Almada no sentido de ser obtida resposta às perguntas a seguir enunciadas.

1) Além do Estudo de Enquadramento Estratégico que esteve em "consulta preventiva" e que corresponde à 1.ª Fase do processo, seguir-se-ão mais seis fases, segundo pudemos apurar:

2.ª Fase - Elaboração da proposta preliminar (que deve estar pronta no máximo até 15 dias após a conclusão da 1.ª fase);
3.ª Fase - Proposta do Plano, a elaborar no prazo de 30 dias depois da proposta preliminar ser aceite;
4.ª Fase - Rectificações à proposta do plano, a seguir à recepção do parecer da CCDR;
5.ª Fase - Discussão pública;
6.ª Fase - Elaboração da versão final do plano (a elaborar no prazo de 30 dias após conclusão da discussão pública);
7.ª Fase - Aprovação, ratificação (eventual), registo e publicação.

Pergunta-se: em termos concretos, agora que o processo já se encontra a decorrer, quais são as datas prováveis para dar início a cada uma das fases atrás assinaladas?

2) Apesar do EEE conter apenas a visão geral para aquela área do território, e os "termos de referência" para a elaboração do PP serem, como o nome indica, indicações e/ou orientações genéricas, certo é que aquele estudo propõe acções concretas (as quais foram aprovadas pela CMA), entre elas a demolição dos prédios n.ºs 88 a 92 da Rua Elias Garcia.

Por isso, e dada a ausência de quaisquer esclarecimentos, sobretudo de carácter jurídico, acerca da futura situação das famílias abrangidas, apesar de aparecer uma indicação de que existem 32 realojamentos propostos, o certo é que moradores e lojistas foram apanhados de surpresa e necessitam de obter informações concretas sobre as várias hipóteses que se lhes apresentam:

a) As demolições são uma inevitabilidade? Ou existem sérias hipóteses de não se efectuarem se os moradores assim o desejarem?

b) Que diligências devem os moradores encetar para impedir as demolições?

c) Caso as demolições sejam inevitáveis, os prédios/terrenos vão ser classificados como de utilidade pública e as pessoas serão expropriadas dos seus bens?

d) Ou a CMA, recorrendo ao direito privado, é obrigada a comprar-lhes as suas fracções pelo preço de mercado?

e) O realojamento é obrigatório? Onde? Em que condições?

f) As famílias são realojadas em casas consoante a dimensão do seu agregado familiar ou numa habitação de dimensão idêntica à que tinham?

g) Muitos dos moradores têm a sua casa hipotecada ao banco e estão a pagar os respectivos empréstimos. Como é feita a transacção imobiliária e hipotecária num caso de realojamento? Pode o banco recusar aceitar os termos propostos pela autarquia?

h) É obrigatório aceitar o realojamento seja lá onde for que a CMA coloque as pessoas? Ou a autarquia tem que os realojar na mesma freguesia?

i) Quem não aceitar o realojamento, recebe indemnização? Como serão feitos os cálculos?
j) Os que têm a casa à venda vão ter de suspender a respectiva venda pois ninguém irá comprar uma casa com a "morte anunciada”. Que direitos têm estas pessoas de ser indemnizadas pelo prejuízo decorrente desse facto?

k) No caso dos lojistas, como é apurado o impacto negativo no negócio (com a perda de clientes) pela deslocalização da respectiva loja para outro local?

l) E aqueles que apenas têm no prédio a demolir uma garagem, que foi comprada em função da localização, que direitos têm? O de receber, apenas, uma indemnização pelo valor da sua fracção? Ou também um lugar de estacionamento no novo silo automóvel? Em que condições?

Mais se requer que a resposta nos seja comunicada, por escrito, no prazo estabelecido na alínea d) do n.º 1 do artigo 38.º do diploma atrás citado, e, se possível, com cópia a todos os membros desta Assembleia de Freguesia e com conhecimento aos moradores dos prédios atrás assinalados.

Com os melhores cumprimentos,

Cacilhas, 5 de Maio de 2009

Maria Ermelinda Toscano
Representante do Bloco de Esquerda

sábado, abril 25, 2009

Próximas Iniciativas


Amigas e amigos,

O Bloco de Esquerda de Almada preparou já um programa de várias iniciativas para os próximos meses, dando assim o pontapé de saída para o período eleitoral que se avizinha... Muito gostaríamos de contar com todas e todos na participação e implementação deste calendário:

quarta-feira, 6 de Maio, 11h – Auditório da Escola Secundária Cacilhas-Tejo
Sessão: "Cidadania e Sexualidades", com José Soeiro

quinta-feira, 7 de Maio, 15h – Auditório da Escola Secundária Anselmo de Andrade
Sessão: "Cidadania e Sexualidades", com José Soeiro

sexta-feira, 8 de Maio, 21h – Grupo de Amigos da Costa da Caparica
Concerto com "Sick Strippers", "Heaven Down", "Young Men & The Bastards" e "My Fault"
Entrada: 1,50 Estrelas

sábado, 16 de Maio, 10h – Praça MFA
Feira Aberta

domingo, 17 de Maio, 13h – restaurante Patatigna (em frente à Escola Secundária Emídio Navarro)
Almoço de apresentação da candidatura do Bloco às autarquias do concelho de Almada, com a presença de Francisco Louçã.

quarta-feira, 20 de Maio, 20h30 – Casa da Juventude, Ponto de Encontro - Cacilhas
Fórum: "Uma cidade inclusiva"

quarta-feira, 3 de Junho – Sociedade Incrível Almadense (Salão de Festas)
Comício com Miguel Portas


Para quaisquer esclarecimentos, podem entrar em contacto connosco via e-mail ou por telefone: almadabloco@gmail.com 212752351


Bloco de Esquerda (Almada)
http://almada.bloco.org
Trav. D. Sancho I, 1-A – 2800-046 Almada
T: 212752351

sexta-feira, abril 24, 2009

Saúde: um direito ou um negócio?

Mesa da sessão (da esquerda para a direita): Dr.ª Carla Carneiro (PSD), Dr. Fernando Pena (CDS/PP), Dr. Paulo Pedro (PS), Dr. Joaquim Judas (MUSP - Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos), Isabel Mota (moderadora - vogal da Junta de Freguesia de Cacilhas), Dr.ª Heloísa Apolónia (PEV) e Dr. João Semedo (BE).
Aspecto geral da sala que, 10 minutos depois, ainda estava muito mais cheia.



Na minha óptica, este foi um excelente debate. Apreciei, sobretudo, as intervenções do Paulo Pedroso, do João Semedo e de Joaquim Judas.
Paulo Pedroso, que pecou pelo cunho demasiado eleitoralista da sua intervenção (é, como sabem, o candidato do PS à Câmara Municipal), não deixou de colocar muitas e sérias questões sobre o papel das autarquias na resolução do problema da saúde, assim como o fazem na educação e no desporto, mesmo que não tenham competências específicas nessas áreas. Gostei, sinceramente, de o ouvir.
Mas, obviamente, João Semedo foi, para mim, aquele que melhor abordou o tema em análise (direito? versus negócio? nos serviços de saúde) até porque esclareceu logo à partida que o seu interesse na matéria estava para lá de quaisquer questões de política local.
E o médico Joaquim Judas trouxe-nos uma visão do quotidiano. Dos assuntos de proximidade.
Depois do debate, onde participaram bastantes elementos do público, todos ficámos cientes de uma coisa: que o Serviço Nacional de Saúde deve ser público e prestar cuidados de proximidade, o resto foram pomenores.
E, já agora, não posso deixar de dizer do que não gostei: da ênfase que o executivo da Junta de Freguesia (primeiro através da moderadora da sessão, depois pela intervenção do Presidente da Junta) colocou na importância de quem aprovara e quem se abstivera na votação de uma moção (sobre a saúde e a construção de uma unidade de raiz em Cacilhas) apresentada no dia anterior na Assembleia de Freguesia... ao ponto de citar, nominalmente, os partidos e a respectiva orientação de voto, uma informação completamente a despropósito.
E não é que eu tenha qualquer problema em dizer como votei pois até já tinha colocado on-line o resumo da AF e referia esse mesmo facto. Agora achei aquela informação desnecessária.
Ainda pensei pedir a palavra para esclarecer esse pormenor, mas era desviar o assunto do debate e entrar no jogo da CDU. Achei que não valia a pena.
Assim como a exaltação do Presidente da Junta e a necessidade que teve de intervir para contrapor argumentos (que acabaram por funcionar a favor e não contra, como ele pensou) ao discurso de Paulo Pedroso quando ele afirmou que as autarquais bem poderiam participar mais nestas questões: se fosse prioritário construir um centro de saúde em Cacilhas, nada impedia que a CMA o fizesse e, depois, fosse pedir contas ao Governo.
Ao darem o exemplo das escolas e dos pavilhões gimno desportivos que a CMA já construiu, que também são uma competência da Administração Central, a CDU acabou por demonstrar à assistência que Paulo Pedroso, afinal, até tinha razão. E não tenho qualquer problema em dizê-lo aqui, publicamente. Há que saber separar as águas... se é que me entendem.
Tal como foi de muito mau tom a forma como o anfitrião da sessão (o Presidente da Junta de Freguesia) acabou por tratar um dos convidados (Paulo Pedroso, no caso) ao dizer que ia intervir para desmentir o que o orador acabara de dizer. Pode ser um incidente que nem o chega a ser pela sua insignificância, mas não deixei de tomar nota do ar de "superioridade moral" com que a abordagem foi feita para, contudo, acabar por se ter virado o feitiço contra o feiticeiro. E para bom entendedor, meia palavra basta.

Juntar Forças... para requalificar a Trafaria

Mesa (da esquerda para a direita): José Pedro Lima (arquitecto), Henrique Pires (moderador), Alda Macedo (deputada do BE), Rita Grácio (engenheira agrónoma) e Joaquim Piló (presidente do Sindicato Livre dos Pescadores).




Embora não muito participada em termos de público (a nossa população não tem, de facto, hábitos de intervenção cidadã), esta sessão, organizada pelo Bloco de Esquerda e que decorreu no passado dia 21 do corrente mês nas instalações do Recreios Desportivos da Trafaria, contou na assistência com a presença da Presidente da Junta de Freguesia e com um vogal do executivo que intervieram na fase do debate, o que considero bastante importante.
O discurso dos oradores centrou-se, nomeadamente, nas questões:
1) da poluição do Rio Tejo e das consequências ao nível dos recursos piscícolas e na actividade da pesca - Joaquim Piló;
2) das valências da Trafaria, sobretudo no que se refere às potencialidades em termos turísticos devido à existência de um conjunto de património importante (paisagístico e até edificado - fortes, por exemplo) - Rita Grácio;
3) do planeamento urbano e da exagerada burocratização do processo, da degradação patrimonial e da sua recuperação, sem esquecer a problemática da habitação social e da participação da população - José Pedro Lima;
4) da memória colectiva, da história e do contributo na construção de uma identidade comum, da valorização do património e da apropriação dos valores no processo de partilha, da coesão social e territorial, da forma participada de viver a democracia e na necessidade de as pessoas serem cada vez mais exigentes com os seus autarcas.
Foi também abordado o problema da gestão da frente ribeirinha e da interferência jurisdicional de várias entidades que se sobrepõem em termos de atribuições e competências, nomeadamente a "superintendência" da APL (Administração do Porto de Lisboa), mas igualmente do abandono a que o poder local democrático tem votado esta área.
A Presidente da Junta referiu o problema da baixa auto-estima da população da Trafaria, consequência do menosprezo a que foi votada nestes últimos 35 anos, e naquele que lhe parecia ser o lema/exigência actual: mais do que participação, a população da Trafaria quer é acção.
E a deputada do BE encerrou a sessão com um desafio: "estamos todos convocados para a mudança". Assim seja! Pelo menos os autarcas do Bloco de Esquerda tudo farão nesse sentido.

quinta-feira, abril 23, 2009

Resumo da AF de 22-4-2009

Mais uma vez a sessão da AF de Cacilhas foi uma surpresa.

Começou logo por haver público, o que raramente acontece. E eram tantas as presenças (mais de vinte) que tiveram que colocar cadeiras extras e até ficou gente em pé na sala, à porta e no corredor. Numa sala pequena, com mais os treze membros da AF e os cinco do executivo, imaginem a confusão... a meio da sessão já o calor eras insuportável e o ar estava irrespirável, mesmo com as janelas abertas.

O ar de espanto era notório nos rostos dos membros do PS e em mim própria, com certeza. Perguntei ao Presidente da JFC o que se passava e ele apenas me disse, de forma lacónica: é por causa do Almaraz. Ficámos na mesma.

Só quando, no período aberto ao público, onde se inscreveram cerca de vinte pessoas para falar (tendo algumas pedido para intervir uma segunda e até terceira vez), começámos a perceber o que estava ali em causa.

Tratou-se da publicação em Diário da República do Edital da CMA n.º 309/2009, de 9 de Março (DR, 2.ª série, n.º 60, de 26-03-2009) sobre os "termos de referência para elaboração do Plano de Pormenor do Almaraz" e da consulta pública do projecto - que terminou ontem, precisamente - e onde se prevê a demolição de um bloco de três edifícios na Rua Elias Garcia para, segundo consta, abrir uma "alameda de acesso ao castelo".

Dessas duas dezenas de intervenções, ficou notória a revolta dos moradores e lojistas pela forma como o processo fora conduzido pela CMA mas, sobretudo, era evidente a extrema preocupação das pessoas com o seu futuro: seriam indemnizados? onde iriam ser alojados? quando é que o processo teria início?

Já no período da Ordem do Dia, e antes da apresentação das moções, pedi a palavra para dizer que me sentia indignada com o comportamento da JFC por não ter dado conhecimento aos membros da AF, nomeadamente à Comissão de Acompanhamento da Requalificação de Cacilhas, de que o referido documento estava em consulta pública.

O PS pronunciou-se no mesmo sentido.

O Presidente da Junta explicou que não era obrigação dele dar esse tipo de informações à AF e que haviam sido publicados editais nos locais de estilo da freguesia, e o coordenador da CARC – que é da CDU, e o Presidente da AF esclareceram que só por mero acaso tinham acedido ao processo pois tinham-se deslocado à JFC para tratar de assuntos e aproveitaram.

Voltei a pedir a palavra e disse, com todo o respeito que os três visados me mereciam, julgava que o funcionamento democrático das instituições (e à semelhança de actos semelhantes relativos a outros assuntos não propriamente consignados na lei como obrigação do executivo) levaria a que o Leal nos tivesse informado desta ocorrência, até porque naquele que é o meu percurso diário não passo nunca por nenhum dos tais locais de estilo onde o edital fora afixado. Mas sentia-me, sobretudo, chocadíssima com a atitude do coordenador da CARC e do Presidente da AF que, afinal, haviam tido conhecimento de tudo mas não se dignaram informar os restantes membros da AF quando um simples e-mail leva segundos a ser enviado.

Teci, ainda, algumas considerações sobre o que, em minha opinião, se estava a fazer àquelas pessoas que, doravante, iriam estar com a vida suspensa até à execução do plano de pormenor do Almaraz. Porque era muito grave o que estava a acontecer, como se podia deduzir das intervenções do público, nomeadamente a situação daquelas pessoas (e não eram poucas) que tinham as casas à venda mas que, agora, ninguém as iria comprar, causando seríssimos problemas às famílias atingidas.

O executivo procedeu a algumas explicações (no fundo, apenas uma leitura simplificada do tal plano) mas fizeram sempre questão de dizer que não tinham competências para intervir no assunto e iriam remeter todas as preocupações expressas na AF ao vereador José Gonçalves, após feitura da acta respectiva (só não disseram é que a elaboração das actas anda super atrasada - só agora vamos aprovar a de Setembro/2008, faltando aprovar outras três - duas extraordinárias - Novembro/2008 e Abril/2009 e uma ordinária - Dezembro/2008... imagine-se quando é que estará pronta a de dia 22 de Abril... por este andar nem depois das eleições autárquicas!).

Felizmente alguns moradores entregaram na Mesa da AF vários requerimentos, os quais também informaram ter entregue na CM. Foram, ainda, aconselhados a fazerem-se representar por uma comissão na próxima sessão ordinária da Assembleia Municipal e também numa das reuniões públicas da CM.

Voltei a pedir a palavra e esclareci que, apesar dos poderes limitados que, efectivamente, uma AF tem, não podemos estar constantemente a afirmar que este é um órgão que nada pode fazer, que é inútil. Senão, o que é que estaríamos aqui a fazer? Aliás uma leitura atenta da lei das autarquias locais até nos dá margem, como eleitos da freguesia (o órgão que mais perto está dos cidadãos eleitores e que bem poderia potenciar essa aproximação), para agirmos... assim o queiramos e estejamos na disposição de despender o nosso esforço nesse sentido. Porque não nos podemos esquecer que, no mínimo, temos a obrigação de, melhor que o cidadão comum, saber quais são os mecanismos burocráticos de acesso à informação cabendo-nos também, no exercício das nossas funções como autarcas, diligenciar no sentido de esclarecer este tipo de situações.

Quando terminei apercebi-me de que os moradores tinham estado, atentamente, a ouvir as minhas palavras.

Passou-se, então, à votação das Moções não sem antes, como seria de esperar, a CDU intervir. Fui injuriada como há muito não havia sido: de ter uma visão limitada e uma "formação mental" que só pode ser repudiada (e esta hem??), que para não acusar o Governo (??) só sei atacar a Câmara de Almada, de já estar em campanha eleitoral, e por aí em diante.

Mais disseram que até se deveria compreender a CMA por, numa situação de crise, num regime permissivo onde a lei é atropelada em todo o lado, fazer contratos a termo não era condenável. Que a CMA nunca cometeria ilegalidades como estas que eu descrevia. E muito menos, porque "têm moral e ética", desrespeitariam uma deliberação da AM. Se assim procederam é porque tinham autorização para o fazer (???), que não sabiam se aquela era a interpretação correcta da lei, que haviam muito mais Câmaras a fazer o mesmo e o BE nada dizia sobre o assunto. E por aí em diante.

Depois destas palavras, qual não é o meu espanto quando o Dr. Noronha acaba dizendo que, apesar de na sua bancada irem votar contra ambas as moções, ele, pessoalmente, votaria a favor da Moção do 1.º de Maio pois, apesar de tudo, concordava com a parte deliberativa embora repudiasse os considerando, tendo apresentado declaração de voto nesse sentido.

Resultado das votações:

Viva o 25 de Abril (PS) - aprovada por unanimidade.
1.º de Maio (PS) - aprovada por unanimidade.

O 25 de Abril e a Democracia Local (BE) - rejeitada, com os votos contra da CDU e a abstenção do PSD.
No período permitido para defesa das moções, expliquei os motivos pelos quais elas tinham sido redigidas naqueles moldes, com explicações adicionais, nos termos da lei, para refutar as acusações da CDU.
O 1.º de Maio e a Situação dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Almada (BE) - aprovada por maioria, com os votos a favor do BE, PS e 1 da CDU.

Unidade de Saúde de Cacilhas (CDU) - aprovada por maioria, com os votos a favor da CDU e a abstenção do BE, PS e PSD.
Fiz declaração de voto informando que a minha posição se devia ao facto de considerar que, em vez de exigir a construção de um centro de saúde de raiz, dever-se-ia, antes, apostar no aproveitamento das instalações do SAP.
25 de Abril e 1.º de Maio (CDU) - aprovada por maioria com os votos a favor da CDU e BE.
Futuro do Arsenal do Alfeite (CDU) - aprovada por maioria com os votos a favor da CDU e BE.

Um membro do PS sugeriu que a AF deveria solidarizar-se com os moradores aqui presentes e eu acrescentei que deveria, antes, ser apresentada uma Moção de solidariedade mas, também, onde nos comprometêssemos a encetar as diligências possíveis, no âmbito das competências da AF e utilizando os meios disponíveis, para esclarecer a situação.

Ficou acordado que assim seria mas, entretanto, como já passava da meia-noite, resolveu-se suspender os trabalhos e continuar a reunião no próximo dia 5 de Maio.

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Entretanto, já tenho o Edital da CMA sobre o Almaraz. Vou estudar o assunto. E tentar consultar o processo apesar de o período de consulta pública ter terminado.

Penso fazer uma intervenção na próxima AF de 5 de Maio, por escrito (obviamente). Acho que não podemos deixar passar a oportunidade.

Entretanto, passem pelo meu blogue que já lá tenho uma notícia sobre o chumbo da moção do BE sobre o "25 de Abril e a Democracia Local". E comentem. Sejam participativos. Temos de marcar posição e aproveitar as potencialidades da blogosfera pois é o único meio de comunicação que ninguém consegue dominar sendo efectivamente livre.

O 1.º de Maio e a situação dos trabalhadores da CMA


O 25 de Abril e a Democracia Local


domingo, abril 19, 2009

Saúde: um direito ou um negócio?


Na próxima 5.ª feira, dia 23 de Abril, pelas 21:00H, no auditório da Escola Secundária Cacilhas - Tejo, a Junta de Freguesia de Cacilhas vai realizar um debate que conta com a participação, já confirmada, de:
Bruno Dias, deputado do PCP;
João Semedo, deputado do BE;
Heloísa Apolónia, deputada do PEV;
Fernando Pena, deputado do CDS/PP;
Joaquim Judas, do MUSP - Movimento de Utentes dos Serviços Públicos.
Este é um tema que interessa a todos. Não faltes. Participa, apresenta a tua opinião. Coloca dúvidas. Enfim, vem reflectir connosco...

domingo, abril 12, 2009

Pontos negros do concelho de Almada

Ontem, dia 11 de Abril, o Bloco de Esquerda realizou um périplo por todo o concelho de Almada assinalando vários "pontos negros" da gestão autárquica mas, também, da política nacional.

Aqui ficam as imagens da iniciativa que se iniciou e terminou em Cacilhas.

quarta-feira, abril 08, 2009

Estacionamento autorizado - cartão da ECALMA


Exm.º Senhor Presidente
Da Assembleia de Freguesia de Cacilhas

Sobre o tema acima epigrafado enviei no passado dia 20 de Fevereiro do corrente ano, ao Exm.º Senhor Vereador do Urbanismo, Mobilidade e Fiscalização da Câmara Municipal de Almada, e também Presidente da ECALMA, José Manuel Gonçalves, um e-mail dando notícia do seguinte acontecimento:

É habitual ver, quase todos os dias, sobretudo ao entardecer, estacionado em frente à estação dos CTT, sobre o passeio da Av.ª 25 de Abril (em Cacilhas), impedindo a livre circulação dos transeuntes, entravando a saída dos residentes do número 41 e/ou dificultando o acesso à passadeira de peões que se encontra naquele local, um veículo que exibe o dístico que junto se anexa.

Este cartão, supostamente emitido pela Administração da ECALMA, afiança que o veículo em causa (que, todavia, não se encontra expressamente mencionado e dará para qualquer um pois a matrícula não figura como identificativo do carro) está autorizado a "aceder aos espaços de estacionamento sob gestão da empresa".

Embora, de então a esta parte, o veículo em causa não tenha sido por nós detectado em situação de idêntica infracção, consideramos que o esclarecimento deste assunto é importante.

Como tal, perante o silêncio do Senhor Vereador, vimos, nos termos do disposto na alínea g) do n.º 1 do artigo 17.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro (na redacção da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro), por este meio, solicitar ao Senhor Presidente da Junta que se digne diligenciar junto dos competentes Serviços camarários e/ou da referida empresa municipal, no sentido de ser obtida resposta às perguntas a seguir enunciadas:

1) A ECALMA é, efectivamente, a entidade emissora destes títulos de autorização?

2) Que disposições regulamentares permitem a sua emissão?

3) Quais os requisitos indispensáveis à obtenção de dísticos desta natureza?

4) Que privilégios têm os titulares quanto ao estacionamento dos respectivos veículos?

Mais se requer nos seja comunicado, por escrito, no prazo estabelecido na alínea d) do n.º 1 do artigo 38.º do diploma atrás citado, qual foi o resultado entretanto obtido.

Com os melhores cumprimentos,
Cacilhas, 6 de Abril de 2009

Maria Ermelinda Toscano
Representante do Bloco de Esquerda

Parque da Margueirinha e Segurança Rodoviária

Exm.º Senhor Presidente
Da Assembleia de Freguesia de Cacilhas

Ambos os temas citados em epígrafe têm merecido a preocupação de todos os partidos representados nesta Assembleia de Freguesia, tendo até chegado a ser aprovadas, por unanimidade, várias moções sobre o assunto.

Todavia, está quase a fazer um ano que aquelas questões se levantaram pela primeira vez, tendo sido sucessivamente abordadas em todas as reuniões deste órgão deliberativo havidas desde então, sem que, todavia, lográssemos obter quaisquer resultados práticos.

Considerando que o assunto já está a ser analisado pelos Serviços de Trânsito da autarquia desde Maio de 2008, segundo então nos informou, por e-mail, o Sr. Vereador José Gonçalves, cumpre-nos, nos termos do disposto na alínea g) do n.º 1 do artigo 17.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro (na redacção da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro), solicitar ao Senhor Presidente da Junta que se digne diligenciar junto dos competentes Serviços camarários no sentido de ser obtida resposta às perguntas a seguir enunciadas:

1) Os Serviços de Trânsito da CMA já analisaram, ou não, e porquê, as situações atrás descritas?

2) Em caso afirmativo, existe algum relatório contendo o resultado desse trabalho? Pode o mesmo ser facultado aos membros desta Assembleia?

3) Que justificação pode existir para continuar a manter aqueles dois lugares de estacionamento à entrada do mencionado Parque, sabendo que os mesmos, quando ocupados, retiram toda a visibilidade aos condutores que vão a sair?

4) Que razões, técnicas ou outras, impedem a autarquia de implantar medidas de acalmia de trânsito naquela artéria quando são já vários os despistes que resultaram do excesso de velocidade com que os automobilistas ali circulam?

Mais se requer nos seja comunicado, por escrito, no prazo estabelecido na alínea d) do n.º 1 do artigo 38.º do diploma atrás citado, qual foi o resultado entretanto obtido.

Com os melhores cumprimentos,
Cacilhas, 6 de Abril de 2009

Maria Ermelinda Toscano
Representante do Bloco de Esquerda

Recenseamento Eleitoral

Exm.º Senhor Presidente
Da Assembleia de Freguesia de Cacilhas

Na última reunião da Comissão Recenseadora de Cacilhas, realizada no passado dia 30 de Janeiro do corrente ano, destinada à apresentação sumária do novo regime jurídico do recenseamento eleitoral (implementado pela Lei n.º 47/2008, de 27 de Agosto), que veio consagrar medidas de simplificação e modernização no que se refere à actualização permanente da respectiva base de dados, foram apresentados diversos erros e omissões detectados nos registos efectuados nos cadernos eleitorais, os quais passaram a ser emitidos a nível central e são enviados para as freguesias em formato electrónico.

Em 2009 irão ocorrer três actos eleitorais, sendo que um deles está a escassos dois meses de acontecer, pelo que a fiabilidade dos dados contidos nos cadernos eleitorais não é de somenos importância, muito pelo contrário.

Face ao exposto, solicitamos a V.ª Ex.ª se digne interceder junto do Senhor Presidente da Junta no sentido de, nos termos do disposto na alínea g) do n.º 1 do artigo 17.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro (na redacção da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro), lhe solicitar se digne responder às perguntas a seguir enunciadas:
1) Já foram ultrapassados todos os problemas enunciados na reunião da Comissão Recenseadora atrás referida (nomeadamente eleitores sem morada actualizada e registos omissos)? Se não, quais são os que persistem?
2) De que forma podem essas falhas ser resolvidas? Já foram encetadas algumas diligências nesse sentido?

Mais se requer que o esclarecimento seja prestado no imediato, no decorrer da Assembleia de Freguesia extraordinária realizada nesta data, ou, não sendo possível, nos seja comunicado, por escrito, no prazo estabelecido na alínea d) do n.º 1 do artigo 38.º do diploma atrás citado.

Com os melhores cumprimentos,

Cacilhas, 6 de Abril de 2009


Maria Ermelinda Toscano
Representante do Bloco de Esquerda